Ecoponto

Acrobata de Jundiaí que desistiu do esporte por falta de incentivo é aprovado no Cirque du Soleil

Sem conseguir apoio financeiro do governo no atletismo, Renato Queiroz decidiu partir para o lado artístico.

Por Jamilson em 06/08/2018 às 11:23:02

Após não conseguir realizar o sonho de ser atleta, o jovem Renato Queiroz, de Jundiaí, foi acolhido por uma das maiores companhias circenses do mundo, o Cirque du Soleil, em fevereiro deste ano. A falta de apoio financeiro ao atletismo por parte do governo fez com que ele decidisse partir para o lado artístico.

Atualmente morando na Bélgica, o garoto começou na capoeira aos 8 anos e não imaginava que o destino lhe daria esse presente. As aulas de ginástica artística tiveram início timidamente no Centro Esportivo Aramis Polli, na vila Hortolândia, quando ele ainda sonhava em construir uma carreira como atleta, mas logo foram substituídas pelos treinos de trampolim acrobático.

A ginástica artística foi o impulso necessário para a imersão de Renato ao mundo do esporte. Em 2007, ele decidiu se arriscar no Parkour, uma modalidade que possibilita ultrapassar rapidamente diversos obstáculos usando apenas o corpo.

Mas, cerca de um ano depois, em 2012, se identificou definitivamente com o trampolim acrobático e deixou de lado a ginástica artística, quando participou do Campeonato Brasileiro de Ginástica de Trampolim e ficou em 4º lugar.

"Depois do campeonato, eu meio que desisti por falta de incentivo. Eu não conseguia mais treinar em Jundiaí, não tinha estrutura, não tinha apoio", disse o jovem, de 25 anos.

Renato passou a treinar em um clube de Campinas e teve a oportunidade de competir no Campeonato Brasileiro de 2015 novamente, quando ficou em 1º lugar, o que garantiu a ele uma vaga no Mundial da Dinamarca pela categoria.

O ginasta disputou a competição europeia no aparelho duplo mini e ficou entre os 30 melhores do mundo, mas o sonho de competir ficava cada vez mais distante. "Nesse momento, decidi aposentar na vida de esportes, do trampolim acrobático. Como já estava na Europa, resolvi fazer a escola de circo", explicou Renato.

As aulas na Itália auxiliaram o acrobata a conseguir alguns trabalhos no meio artístico, passando por países como Holanda e Finlândia. "Com o circo acabei migrando para o mundo da arte, que é um mundo que eu conseguia ter mais fácil esse reconhecimento financeiro, porque eu já era adulto e precisava pagar as contas e realizar os meus sonhos", afirmou.

Após treinos diários na Itália, Renato decidiu que mandaria um vídeo para o Cirque du Soleil, o que resultou em um convite para fazer audições na Dinamarca, em junho de 2017. As audições foram um sucesso e fizeram com que ele entrasse para o banco de dados do circo para futuros chamamentos.

Em seguida, a companhia entrou em contato com o jovem, que fez diversos treinamentos. O primeiro deles foi em Montreal, no Canadá, no equipamento bascula, acompanhado dos acrobatas do Cirque du Soleil. "Desse treinamento eu fui chamado para outro, dessa vez na minha especialidade, o trampwall, realizado esse ano, de fevereiro a abril."

O Cirque du Soleil o chamou para fazer parte da criação de um novo show, com previsão de estreia em março de 2019. Para se manter financeiramente até o começo do espetáculo, ele foi chamado para se apresentar na companhia Sur Mesure, na Bélgica, Luxemburgo e Reino Unido, para substituir um acrobata que se machucou. "Eu quis ser artista pelo fato de que no Brasil infelizmente é muito difícil viver como atleta, existe muita falta de incentivo e, principalmente no ano que eu fui campeão brasileiro, o governo cortou a bolsa atleta para o aparelho que eu fazia, que era o duplo mini", disse.

Apesar das dificuldades, ele transformou as barreiras encontradas em outro modo para seguir um sonho. "Por falta de opção e falta de incentivo, isso virou a minha paixão. É o que eu amo fazer e trabalho com o que eu gosto e gostaria que todos tivessem a oportunidade de fazer o que amam."

Fonte: G1